Os alimentos geneticamente modificados

No Brasil, a discussão a respeito dos riscos dos alimentos geneticamente modificados, apesar de recente, já provoca a manifestação de diversos segmentos sociais, como vem ocorrendo em todo o mundo. Por exemplo, a SBPC -Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, o Ministério Público Federal, o IBAMA -Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, os PROCONs, além das organizações não-governamentais de proteção do consumidor e do meio ambiente, como o IDEC e o Greenpeace, explicam os riscos envolvidos e, por isso, solicitam do Governo Federal o cumprimento da legislação e muita cautela antes de aprovar qualquer liberação de produto transgênico.

O IDEC está acompanhando este tema desde 1996 e não aceita a forma como está sendo conduzido o processo de introdução dos alimentos transgênicos no país. O assunto é absolutamente desconhecido da população, não existindo a publicidade merecida à matéria. Além disso, a autoridade competente para normatização e apreciação dos pedidos das empresas para testes e plantio em solo brasileiro, a CTNBio, ainda não normatizou por completo o tema (faltando regras fundamentais sobre segurança alimentar, rotulagem e comercialização), mas já concedeu parecer conclusivo favorável ao primeiro pedido (o pedido da Monsanto) para plantio em larga escala para comercialização. Em outras palavras, a CTNBio está decidindo apressadamente esta questão de relevância, com graves riscos para o meio ambiente e para a saúde do consumidor.

Dois direitos básicos dos consumidores devem ser respeitados: o Direito à Informação e o Direito de Escolha.

Por isso, deve ser instituída a informação obrigatória e clara nos rótulos sobre o tipo de modificação genética que os alimentos sofreram. Há uma grande resistência de setores governamentais, apoiados pela empresas de biotecnologia, para que se limite ao máximo esta exigência, escondendo informação relevante sobre a origem, natureza, qualidade e riscos dos produtos, o que se configurará em um flagrante desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor.
Outra reivindicação: maior transparência no processo de regulamentação e autorização de experimentos, plantio ou comercialização desses produtos no país.
Da mesma forma, queremos que o setor empresarial se posicione. Por exemplo, o IDEC está solicitando às principais indústrias de alimentos do Brasil que respondam como agirão em relação a esses produtos, especialmente se concordam com a exigência de rotulagem plena dos "engenheirados".
Em suma, há a disposição das associações de consumidores de agir contra todas as medidas que desrespeitarem os direitos dos consumidores nesse processo, não estando descartados nem mesmo o boicote aos produtos e às empresas -ou as ações no âmbito judicial.

Você também pode participar desta campanha. Clique aqui para ler o texto que o IDEC elaborou para informar a população. Nele, há uma lista com os telefones e e-mails de algumas das maiores indústrias de alimentos e supermercados do país. Questione-os sobre sua posição em relação aos alimentos geneticamente modificados -já preparamos as cartas para você.

Leia a íntegra do dossiê elaborado pelo Idec, com o propósito de alertar a sociedade e os órgãos de defesa do consumidor e do governo sobre os riscos do alimentos transgênicos: