NO CORAÇÃO DAS TREVAS

(Transcrito do boletim eletrônico 51do dep.Nilton Temer)

 Rio de Janeiro, 21 de maio de 2001.

Milton Temer 

Primeiro foi o apagão moral. A mega operação, capitaneada pessoalmente pelo próprio presidente da República, para barrar a CPI da corrupção. Uma página vergonhosa da história política brasileira. Em pânico, o primeiro mandatário declarou guerra ao combate à corrupção. Coisa de fazer corar frade de pedra. O ministério inteiro - o pequeno Dorneles licenciado para salvar uma única assinatura -, a mídia amiga, os donos do PIB, todos foram mobilizados para salvar a "governabilidade da maracutaia". Em vão a vitória de Pirro das assinaturas retiradas. Serviu apenas para deixar tudo escancarado. Até as pedras da rua passaram a saber que o governo FHC não resiste a uma investigação séria. Basta um mínimo de luz e ele desaba como um castelo de cartas. 

Agora, para o suplício de todos, chegou à hora do apagão concreto. Vai faltar luz. Mais desemprego,mais insegurança nas ruas, esperanças adiadas de retomada do desenvolvimento. Menos pão na mesa e até o circo está ameaçado. Uma tragédia. O governo bate cabeça, fornece explicações desencontradas, mente, tripudia sobre a boa fé, a inteligência e a paciência dos brasileiros. Até em São Pedro querem botar a culpa. Um absurdo sem tamanho. Prodígios de malabarismos para despistar a questão central.

A causa essencial da crise, no entanto, é uma só. A privatização do setor elétrico foi uma lambança
sem precedentes. Desmantelaram o sistema público e, com ele, a possibilidade do planejamento
estratégico; entregaram as empresas, que eram lucrativas, para fazer caixa e pagar juros da dívida; as agências reguladoras são uma piada, trabalham contra a cidadania e a favor dos novos donos do pedaço.
Investimento de longo prazo para eliminar os gargalos ninguém faz, nem fará enquanto perdurar este modelo. Até aqueles amiguinhos do governo, que defendem a idéia da privatização, são obrigados a reconhecer o desastre. O resultado é o que ai está. 

Privatizou, piorou. Tarifa mais alta, serviço de má qualidade e futuro ameaçado. Razão tinha a
oposição quando, com todas as suas forças, lutou contra a privatização do sistema Eletrobrás. Tudo o que está acontecendo agora, basta ver os jornais da época, foi antevisto e denunciado por técnicos dos serviços, pesquisadores da universidade e pela representação parlamentar oposicionista em audiências públicas no Congresso Nacional. Um serviço público essencial, de importância estratégica para a vida da sociedade - e que ademais é monopólio natural - não pode funcionar na lógica da empresa privada. Tem que ser, como em qualquer lugar civilizado, monopólio público e propriedade estatal sob controle democrático da cidadania. 

O governo FHC é uma catástrofe total. Corrupção sistêmica, insensibilidade crônica, incompetência coroada. Um monstrengo que só funciona azeitado pela corrupção. Sem ela não haveria a reeleição, a base aliada de ACMs Arrudas e Barbalhos, as privatizações, nem a destruição de direitos que os neoliberais chamam de reforma. Uma seqüência de desastres que arrasta a sociedade brasileira para o coração das trevas.

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